Entre o gesto e o silêncio
Diante da cortina vermelha do teatro, uma atriz repousa.
Ela veste um chapéu à moda de Charlie Chaplin e segura uma pequena marionete — ambas imóveis, como se o tempo tivesse esquecido de passar ali.
Mas algo sutil acontece:
Fragmentos brancos flutuam no ar, caindo lentamente como neve.
E no peito da marionete, o botão da camisa pisca — uma pequena luz branca que insiste em viver.
Esse cintilar interrompe o silêncio, como um coração que resiste dentro de um corpo de pano.
É a vida disfarçada de ficção.
Entre o sonho e o sol
No quintal silencioso, uma mulher repousa na balança. Ela veste o vestido azul de Alice no País das Maravilhas, descalça, com o pescoço levemente inclinado e os olhos fechados — como se sonhasse acordada.
Ao lado dela, uma segunda balança balança sozinha, vazia, como o eco de uma presença que acabou de partir.
A luz do sol passeia devagar sobre a cena, enquanto pequenas borboletas dançam ao redor — um balé de leveza e silêncio.
Tudo está imóvel, mas o ar respira.
O tempo suspende o instante, e o sonho se mistura à claridade do dia.
Entre o pano e o silêncio.
Um artista surge quase escondido pela cortina vermelha do teatro.
O rosto, pintado de branco, reflete calma e mistério. O chapéu preto cobre-lhe a cabeça, e as mãos seguram o tecido junto ao queixo — como quem se protege e se revela ao mesmo tempo.
Nada nele se move. A cortina também repousa.
Mas o ar se enche de pequenas partículas vermelhas, purpurinas que flutuam devagar, brilhando como brasas no escuro.
É o instante antes da cena. A respiração antes do aplauso. A pausa onde o teatro encontra o sonho.
transforma essa quietude em imagem viva, onde o gesto congelado ganha movimento através da luz e da cor.
O vermelho vibra, o silêncio respira, e o artista permanece — suspenso entre o real e o poético.